Me perguntei o que estava fazendo acordada. Está tarde, deveria estar dormindo.
De repente eu abri meu facebook e me vi numa busca por informações. Aquela paranoia de mulher. Coisa de gente louca, sinceramente.
Procurei por alguns perfis, procurando algo que cruzasse com minha imaginação fértil: algo como comentários terem ligações com datas de postagens, fotos, curtidas... Minha mente cansada procurando algo a mais para exaustar.
Então o youtube, aberto em segundo plano no notebook, começou a tocar uma música de um mix qualquer. O nome da música é "Quando fui chuva - Maria Gadú ft. Luis Kiari".
A letra começa me deixando pensativa. Me deixou mais acordada. Meu sono foi embora.
"Quando já não tinha espaço, pequena fui
Onde a vida me cabia apertada
Em um canto qualquer, acomodei
Minha dança, os meus traços de chuva
E o que é estar em paz
Pra ser minha e assim ser sua"
Percebi então que minha vida ultimamente é como um kami-kazi - em um momento sou a garota pequena, sem espaço para vida imensa que possuo. Pequena para as pessoas. As vezes me sinto como um chuvisco no sertão nordestino. Parece que as pessoas a minha volta esperam que eu seja uma chuva forte, daquelas que vem para trazer a produtividade para uma terra seca. Sinto-me como pequenas gotas, insignificantes. Sem espaço certo, onde qualquer lugar está bom, qualquer pessoa é grande e qualquer demonstração de afeto é uma prova de amor.
Porém, quando me sinto nessa parte de baixo do kami-kazi, não tenho coragem. A possibilidade de meu chuvisco ser inútil e o medo de ficar sozinha, me fazem ficar com medo da vida. Medo e ao mesmo tempo, tédio. Seguro-me em mim mesma, nas poucas forças vitais que meu corpo emana. Oro, procuro alguns poucos amigos que considero fiéis. As vezes, desisto. Sinto como um jeans apertado. Geralmente, me lembro de como engordei nos últimos 3 anos. Pego uma roupa antiga e tento vestir. Choro, então lembro de como minha vida virou pelo avesso nesse mesmo período. Uma série de decisões erradas me levaram a aprender algumas lições e uma série de decisões certas, mas que não eram o que meu coração queria, me levaram a arrependimentos e coração partido.
Pois bem, controverso. Admito. Admiro que minha mente é uma confusão e que minhas palavras não conseguem expressar minhas teorias existenciais de energia, meus sentimentos, minhas naves espaciais. Talvez não seja boa com palavras. Penso que deve ser hora de agir, mas acordo no outro dia com os ombros rígidos e meu estômago ardendo. Nos poucos minutos que fico sozinha comigo mesma eu tento criar resoluções de pequenas confusões que me meto.
Chuvisco. Era para eu ser apenas um chuvisco no sertão.
Mas não sou, nem quando me sinto.
Sou tempestade. As vezes sou como a chuva que Maria Gadú diz que foi, quando interpreta a música que mencionei no início desse post. "jeito bom de se encontrar...". Quando estou nervosa, me sinto como uma tempestade em alto mar. Porém eu sou dois personagens: o mar e o náufrago.
Quando me sinto só, sou apenas as nuvens negras que se formam, assustam, causam alguns trovões e se vão. Sinto-me desaparecendo aos poucos. Meus pensamentos me levam a acreditar que tudo seria melhor sem mim.
Mas sou tempestade. Sou grande. Tenho sentimentos profundos.
Não sei viver metades. Não aceito migalhas.
Até confundo migalhas com atenção, mas logo desperto para realidade.
Estou sozinha há tempos. Vivendo como uma nômade das repúblicas. Entrei e saí de algumas, morei sozinha e agora estou na minha própria república, que mantenho com algumas ideias que tive depois de tanta experiência.
Não namoro desde o primeiro período da faculdade. Tive um amor depois do término do meu namoro, que não foi correspondido da maneira que eu esperava. Talvez até recebesse algum afeto real, mas depois percebi que naquele momento eu estava sendo pequena, com a vida cabendo apertada. Presa em ideias minhas que nunca iriam ser levadas a sério.
É aí que está o ponto chave desse post.
Ser levada a sério.
Eu tenho 21 anos e me viro sozinha desde os 17. O que mais desejo nessa vida é ser levada a sério.
Ouvi conselhos de pessoas que confio, procurei mudar de atitudes para ser levada a sério.
Mas continuo me sentindo uma bebê. Aquela que é enganada o tempo todo. Quase uma criança diabética pedindo doce.
Aí eu me empodero.
Penso em tudo que conquistei, sem ajuda, ou com pouca dela. Penso em como luto todos os dias para ser alguém. Para me destacar. Lembro que eu faço o possível para agradar e ajudar as pessoas.
Recordo em minha alma que sou especial, e que Deus tem um plano pra mim. Oro, confio n'Ele e confio em mim. Essa fase minha é a minha predileta. É o momento que chego num ambiente e não importa se estou bem vestida, gorda, magra, loira ou ruiva. Me sinto bem. Me sinto no poder da minha própria existência, ciente das minhas condições mas com todas as possibilidades em minhas mãos. Aperto o botão do foda-se e vou aos lugares que estava evitando, por que fulano de tal ... bla bla bla.
Passeio, dou gargalhadas, ofereço conselhos. Tento abrir meu coração a um novo amor.
Até tentei usar o tinder (kkkk) e lá são poucas as pessoas que querem ter um papo legal, então já desisti.
É difícil achar uma combinação para mim. Sou forrozeira, gosto de ouvir o fole da sanfona gemer. Gosto de gente virtuosa, com fé e esperança. Fica complicado achar essas qualidades em pessoas que tem o objetivo apenas de transar. A energia não deixa fluir.
A vida tenta me jogar pra baixo, minha alma quer ser tempestade de areia, dessa vez.
Ou furacão.
Meu kami-kazi continua girando, me deixando em altos e baixos, me levando aos extremos dos sentimentos quase o tempo todo. Dúvidas me assolam. Minha espiritualidade grita comigo, pedindo atenção e ajuda para continuar existindo nessa terra de homens fracos e mulheres estranhas. Meu cansaço físico e mental pedindo para eu trancar a faculdade e cuidar de mim, nem que sejam por seis meses e eu recuso, como se nunca estivesse ouvido esse conselho do meu anjo da guarda.
Quando meu kami-kazi chega a 100% de cabeça pra baixo, eu me sinto chuva. Plena. Sinto-me como "cada gota que escorre livre pelo rosto".
Queria uma forma de parar esse brinquedo. Manter sempre de cabeça pra baixo, livre, com sensação de que está vivendo cada minuto intensamente. Aquela época em que acordar cedo se torna um objetivo de viver, e você sabe exatamente o que fazer para levar sua tempestade a fazer exatamente o que precisa ser feito. Nada de enchentes, pânico, naufrágio, tempestade de areia ou o que for. Nada de chuvisco, que o sertanejo espera que ajude a germinar sua plantação mas que com poucos pingos nada poderá crescer.
De cabeça pra baixo, entendo que procurar respostas, cruzar informações, tentar adivinhar as coisas, deduzir evidências do meu dia-a-dia, não são o caminho certo a seguir. Entendo perfeitamente que sou importante e que para ser levada a sério eu tenho que fazer isso primeiro. Acreditar em mim com todas as energias vitais. Transcender os limites da existência física humana. Ultrapassar as barreiras da energia cósmica. Lutar por mim. Entender meu coração.
Finalmente,
Entendo.
Estive procurando me encontrar todo esse tempo, com pé no chão e seriedade no olhar.
Mas estava errada.
Meu lado certo é o avesso. É estar de cabeça pra baixo. É sair do padrão.
Meu lado certo é aquele que tenho de melhor. Sou eu!
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