Sábado a noite.
Hoje o dia foi de forrozear. Dançar até a sandália estourar.
Poderia ter sido um dia perfeito.
Mas não foi. Não pra mim.
Quando gostamos de alguém que não quer nada a mais que uma amizade sua, você se complica. Não sabe se segura ou deixa ir. Você tenta seguir em frente, criar uma vida, mas as travas acabam sendo maiores que qualquer desejo. Seu coração está entendido: já foi te falado tudo mas tudo pra você não é nada. Na verdade, um nada reversível. Sempre há esperança. Por que o amor é paciente e esperançoso. Sempre há pensamento de que poderá mudar aquela situação. Agindo de uma forma, perdendo uns kilos, revendo seu modo de vestir. Você tenta colocar um toque de esperança em tudo que faz.
Essa esperança é muito intensa. Você tem vontade de fazer acontecer mas não pode, por que as coisas nem sempre dependem de você. Você tem manias e vícios que tenta desprender em prol de ser uma pessoa adequada. A partir do momento em que percebe que o tempo está passando e você está perdendo, você adquire uma chamada insegurança mórbida. As coisas na sua vida não dão mais certo e você não entende o motivo. Está perdido mas ainda não sabe. A intensidade do amor diminui para dar espaço a um sentimento tão forte quanto, que vem quando sua alma carece de amor: a tristeza, vazio. Nesse momentinho, você procura por falsas hipóteses, que sugerem que as coisas não vão bem por causa disso ou daquilo, por causa de um tipo de atitude específica ou ademais. Se culpa. Chora, grita, birra. Vira uma criança com pirulito roubado. No fundo você sabe que aquele pirulito não é saudável, poderá elevar glicose, engorda... Mas quer o pirulito por que é dele a sensação de que estamos fazendo algo que realmente gostamos. São simples detalhes que mudam pessoas.
Então percebe-se que nada que faça irá adiantar. Simplesmente tudo parece não ter sentido. O coração fica frio, você passa mal mas nem sabe o que está sentindo. Só não está bem. Precisa de atenção e apego.
Aí vem uma possibilidade de escolha. Pode-se escolher entre a dignidade ou o rebaixamento? Pode. Todos tem oportunidade de dizer não. De cansar de ter a cara feira de palhaça. Sabe-se lá como descrever o sentimento que tive hoje, de se sentir importante por uns momentos e depois ser completamente um nada. Pensei: qual minha escolha? Devo ignorar meu incômodo?
A situação foi se agravando. Estava me sentindo muito mal e ao mesmo tempo sentia como se estivessem zombando de mim, pois demonstrei que não havia gostado. Tentei ignorar, dançar, olhar pro lado contrário. Todo meu coração leve pesou-se. Ao mesmo tempo que sentia vontade de pegar alguém pelo cabelo e afogar numa privada, meu instinto me levava a sair do ambiente, ficando quieta e sem confusão. Mas eu não sei fingir sentimento. Não sei esconder alegria ou dor. Se estou feliz, é visível, se estou triste, também. Assim também acontece com os sentimentos extremos, as dúvidas, inseguranças e "noias".
Pois bem. Pensei em qual o motivo de não ser mais interessante, em por que não sou quem ele deseja. Comecei a colocar culpa em mim novamente, me rebaixando a uma situação que não vai reverter. Olhei bem pra mim e pensei: to gorda.É isso!!!!!!
Daí já não existia leveza.
Então eu entendi tudo.
Entendi desde lá do início, de quando não entendemos por que as coisas misteriosamente não dão certo.
Eu deveria ter cortado o mal pela raiz. Mas meu coração não vê como mal.
Alguém que te faz bem, te acalma, te faz sorrir e se preocupa com você não é bem um perfil que será esquecido, né?
Eu prefiro pensar que o objetivo de Deus fosse que eu aprendesse alguma coisa, por que eu não esqueci, eu tive todas as chances para afastar e só o que fiz foi trazer pra perto. Aproveitei da amizade que me ofereceu para que eu tirasse coisas boas e me ajudasse a crescer, pois é perto de pessoas que admiramos que precisamos nos apoiar, precisamos buscar forças e exemplos.
E admirar alguém é mais complicado que parece. Admiramos pessoas por coisas simples, como uma beleza natural ou por um cheiro que traz calma. As vezes por palavras, atitudes, modo de vida. As vezes só por que você se vê ali. Misteriosamente você entende que aquilo é muito mais que uma mera admiração. É respeito, vontade.
Meu entendimento foi claro. Afastar. Tudo o que eu podia fazer eu fiz, creio eu.
Meu coração já levou balde de água fria demais. E particularmente, eu não acho que eu tenha merecido. Criar esperança não deveria ser pecado. Mas ver que nada dá certo também deveria doer menos.
Hoje meu coração doeu da mesma forma que uma cabeça lateja com enxaqueca. Mesma sensação. Senti fisicamente e espiritualmente. NUNCA pensei que fosse ficar tão magoada, mas entendi que tudo o que me faz mal é eu mesma: me prender a uma esperança que eu mesma criei pra algo que poderia ser bom só pra mim.
Enfim.
Entender que temos que dominar nossas esperanças e expectativas dói muito.
Dói por que não é isso que você quer. Você quer manter perto, nem que seja na condição de amizade.
Mas sabe que essa ideia não é válida, por que é impossível aguentar certas situações sem sair magoado.
Não consegui suportar hoje.
Lembrei-me de que um dia ouvi de alguém que as pessoas não passam por nossas vidas sem propósito e que algumas são apenas passageiras.
Estou neste momento, abrindo mão da minha estadia na sua vida. Sou brisa passageira. Vento frio. Onda no mar.
Por que meu papel é esse. Não sei fingir sentimento e não tenho sangue de barata.
Talvez você possa levar algo meu com você assim como levarei traços seus.
A decisão é afastar. Nada de amizade. Não quero mais esperança. Quero realidade, reciprocidade. Me amar em primeiro lugar.
Obrigada.
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