quinta-feira, 28 de julho de 2016

ITAÚNAS

Boa noite, leitores!

Ando sumida do blog por um problema comum nos dias de hoje para muita gente: falta de tempo.
Mas estou aqui para um assunto diferente e muito interessante, que retrata um pouquinho da cultura maravilhosa que nosso país nos proporciona e muitas vezes não aproveitamos como poderíamos.


Há uns 10 meses atrás, eu, que odiava o forró pé-de-serra e todas suas variáveis ritmicas, conheci melhor essa cultura. Com uma apresentação no SUPERSTAR, um programa da Rede Globo, conheci a banda Bicho de Pé, que cantou um xote maravilhoso e me obrigou a baixar vários xotes e começar uma nova era na minha vida: a era forrozeira.

Com intermédio de uma amiga, Mary, acabei indo parar em casas de danças, em que o forró é a principal atração. E adivinhem só? VICIEI!

Após alguns meses, tentando aprender a dançar, babando no pessoal dançando no salão, conhecendo artistas, músicas e aprendendo a distinguir os rítmos, tive uma oportunidade maravilhosa: IR PARA ITAÚNAS - capital do Forró.

Então, nesse festival de forró, eu tive o PRIVILÉGIO de participar.

Eu e minha amiga, fizemos tripas coração para ir para Itaúnas. Desde juntar dinheiro por meses, até a carona furar duas vezes... Mas nada tira do nosso coraçãozinho uma vontade: dançar até os pés doer!

A partir do momento que (acho que) aprendi a dançar me vi em paz; o forró me traz uma paz interior imensurável. O local, as pessoas, me trazem vibes positivas sem explicações. Um lugar que posso ir de chinelo, dançar descalço, como posso ir com a roupa de trabalho e ninguém, ABSOLUTAMENTE NINGUÉM, ligar para mim! Uma paz deliciosa, uma sensação de liberdade que a tempos não sentia, devido as dificuldades que venho enfrentando em relação a minha vida profissional. Meu coraçãozinho, que já se mostrava desanimado de fazer metade das coisas que antes gostava tanto, se encontrou novamente.

Fomos para Itaúnas separadas, nos encontramos lá e botamos para quebrar! RSRS

Itaúnas é um pequeno vilarejo na cidade de Conceição da Barra - ES, cinco horas de viagem de onde moro. Historicamente, a vila vem sendo invadida naturalmente pelas dunas presentes na região.
É um lugar simples, rústico. Ao chegar no trevo em que pegamos a estrada de chão, meu corpo já sentiu um alivio repentino.

Li uma vez em algum blog que não me lembro o nome, que as vezes, gostamos tanto de um lugar, devido a energia que o lugar absorve e te passa. Eu por exemplo, amo ir ao Convento da Penha, pois saio com as energias renovadas. Um lugar de fé, de pensamentos bons. Itaúnas me proporcionou a mesma coisa. Pisei na vila de Itaúnas sorrindo. Depois de meses com o coração pesado, corpo rígido, finalmente eu relaxei.

Procurei pela pousada que havíamos alugado. Era uma espécie de albergue, com área de camping e quartos na parte de cima. Nosso quarto tinha quatro camas e era extremamente pequeno, mas com um campo energético incrível. Tomei um banho rápido e fui para a rua! Tinha forró em todo canto! Eu olhava nos rostos que passavam por mim e via muita gente feliz! Feliz MESMO! Nunca havia visto algo igual. Um momento que você anda pelas ruas e vê gente sorrindo, olhos brilhando. Dançando em qualquer lugar.

Liguei para um conhecido que estava em Itaúnas para nos encontrarmos e eu não ficar sozinha, pois minhas amigas entraram no Bar do Forró, cujo ingresso estava um pouco caro e não quis pagar. Fiquei conversando com meu amigo durante algum tempo e bebendo Catuaba.

Até pouco tempo atrás eu não tomaria catuaba. Achava brega. Cafona. Mas aprendi a ver a simplicidade da vida. Por que se privar de tanta coisa em relação a estética, o que os outros pensam, o que a sociedade prega.... Quem definiu que eu não poderia tomar isso? Só por ser uma bebida barata, era objeto de chacota entre meus  amigos.

Depois ele encontrou seus amigos e foi para um reggae que estava tocando ao lado do Bar do Forró, no Buraco do Tatu. Eu fiquei sozinha, mas nunca me senti tão acompanhada! Já passei por momentos de estar em multidões e me sentir sozinha.. mas... nunca o inverso. Me senti feliz. Mas me senti feliz MESMO! A última vez que me senti assim havia sido no nascimento do meu irmãozinho Isaque, há um ano atrás.

Depois entrei no Bar do Forró e dancei forró até o dia clarear. Ao clarear o dia fui conhecer um pouco das dunas com outro amigo que encontrei lá, de Vila Velha. Vimos o dia amanhecer mas, mesmo com o tempo nublado e um pouco frio,  me senti mais viva que nunca. Ao sair das dunas fomos direto para a padaria.

Acreditem se quiser. A padaria é uma padaria mesmo. Porém, tem forró de 07:00 a diante. Ficamos esperando o forró começar na padaria e me reencontrei com as minhas amigas. Tiramos dezenas de fotos e então pude ouvir o fole da sanfona esquentando. As sete e meia eu já estava novamente nas pontas dos pés, dançando um baião arretado! Não é difícil entrar no clima num lugar tão positivo, cheio de felicidade.

Dancei até a sapatilha pedir arrego. Fui rapidamente até a pousada, tomei um banho e voltei para a padaria. Sem comer, sem dormir, voltei para a Padoca, aquela padaria FODA, e encontrei um xote delicioso ao voltar. Sentei e conheci algumas pessoas incríveis de lugares distantes como São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte.

Me senti a "Criança do Forró" - percebi que esse estilo de vida carrega muito mais que um simples gosto musical em sua essência. Carrega vidas de pessoas incríveis, que, mesmo sem querer, vem para somar em nossa vida. Somar experiências, e, principalmente, somar sorrisos. Sorrisos sinceros, o que é tão difícil sentir. Porque sorriso a gente sente. É diferente quando a pessoa te exala positividade.

Dancei mais e quando percebi, já estava descalça, com os pés acabados, cabelo oleoso e sede. Adivinhem o que fui beber? Isso mesmo, Catuaba! Perto das três, fui para o quarto tomar outro banho. Voltei como se tivesse dormido e descansado. Sorrindo, fotografei mais algumas auras maravilhosas e peguei vários flashs dançantes, como se uma foto fosse capaz de descrever aquela realidade: pés descalços, estrada de chão, catuaba, roupas confortáveis e sorriso na boca.

Conheci mais gente e já anoiteceu, Meu coração se entristeceu por cinco segundos ao pensar que já era véspera de ir embora. Cheguei na última sexta do festival e iria embora no domingo a tarde.  Encontrei mais gente conhecida, conheci até os amigos dos amigos. Nos fotografamos diversas vezes, até entrar desconhecidos em nossas fotos com sorrisos de orelha a orelha enfeitando nossas fotos.

A noite, mais um banho relaxante e mais forró!
Ao passar por uma lanchonete encontrei o trio "Os 3 do Balanço" improvisando um forró sem microfone, caixas de som, nada disso. No Gogó, e nos instrumentos, os meninos trouxeram uma movimentação a lanchonete. Minutos depois haviam casais dançando, apareceu mais um sanfoneiro para acrescentar aquele momento mágico. Todos alegres, sem pestanejar, cantando e dançando numa rodinha improvisada ali mesmo enquanto as pessoas lanchavam. Aquilo sim era forró. Aquilo era mágico, e, novamente repito que não é apenas um estilo de música, é uma forma de entrar em paz com a alma e o corpo.

Haveria no Bar do Forró e Buraco do Tatu, bandas consagradas, além de apresentação da banda vencedora do festival. Os ingressos, infelizmente, estavam caros e não pude ir em nenhum dos dois bares. Então, novamente, vagando sozinha, bebendo catuaba, encontrei mais gente conhecida e fomos a outro bar, o Bar da Ponte, onde tocava um reggae gratuito e também lotado. Fiquei lá até quatro da manhã e fui para a pousada me sentar. Meus pés estavam inchados e eu precisava de um chinelo!

De manhã, fui novamente para a padaria e dancei até o momento de partir. Mais centenas de fotos, de sorrisos, abraços, danças. Mais um turbilhão de sentimentos bons, mesmo na hora das despedidas. Percebi que passei um dos melhores finais de semana da minha vida, sem comer, sem dormir, sem tomar um gole sequer de água. Nada saudável para meu corpo, mas tudo que minha alma precisava. Voltei dois kilos mais leve. Mas sei que não foi apenas o peso que a balança consegue pesar. Lá, naquele paraíso alucinado, onde ao subir as dunas ouvimos os segredos que o vento trás, Itaúnas, linda, perfeita e exatamente como as músicas a descrevem, eu descarreguei todo o peso que o mundo me impõe as costas para carregar. Toda negatividade, inveja, pensamentos ruins... Tudo, ficou pra trás. Absorvi tudo que aquele campo magnético + pode me proporcionar. Meus braços não pesavam, minhas pernas doíam, mas nunca senti dor tão gratificante e sensação de que o mundo é complicado porque nós o complicamos, mas, se levarmos a vida mais feliz, como levamos tudo tão bem em Itaúnas, nossa vida pode melhorar!


Hoje, não quero mais transparecer negatividade as pessoas a minha volta. Quero pessoas que somam sorrisos em minha vida, e que, com estes singelos abraços me mostrem que Deus não me abandonou, as dificuldades são passageiras, mas que o amor nunca deixamos fugir do nosso coração!

Viva, Itaúnas!








Nome do albergue/pousadinha: Tribo de Gaia*

Um comentário:

  1. Tambem quero ir conhecer esse lugar e essa cultura tao bunita

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