sexta-feira, 2 de outubro de 2015

crônica de uma profecia da decepção

É. Quem diria eu estaria aqui denovo. Depois de meses sem uma portagem decente, lá vou eu com uma indecente. Talvez não é essa a palavra certa, mas o que eu sei é que está instalada nas cordas vocais, esperando pra ser libertada.
Essa liberdade não é qualquer coisa. Não é simplesmente poder falar o que está pensando. É sentir o que está falando.
Sentir. A palavra sentir é tão vaga... Tão cheia!
Ultimamente o que sinto é vazio. Vem lembranças de um passado recente, o qual te conheci. Mas já enterrei e não vou desenterrar.
Nesses últimos meses descobri que conhecer pessoas é muito mais que saber um resumo da vida dela, saber o que ela gosta, nem em que crê. Conhecer uma pessoa é mais que passar meses grudado nela. É sentir suas palavras, sentir seus atos.
Parece um dia de verão comum, praia, sol, biquíni. Eu precisava viajar e uma carona seria ótima. Consegui uma pessoa próxima e que até o momento mal era meu amigo. Mas a gente sempre acha que conhece as pessoas. Achamos que sabemos mais, que estamos menos propensos a ser enganados.
Esse dia foi um dia comum. O papo era bom e como a gente sempre acha que com a gente é diferente, deixei o papo fluir.
Alguns meses se passaram e já era inverno. Lembro como se fosse ontem: céu num Crepúsculo perfeito. Eu olhei da janela do meu quarto, e aquele vento gelado em conjunto com a maresia tocava meu cabelo. Sentia algo forte dentro do meu peito.
O meu sentir era um sentir sincero. Eu fiquei com o coração apertado. A impressão que se tinha é que estava tão cheio que chegava a transbordar. Havia um tempo que não tinha uma sensação como essa.
Instantaneamente meu telefone vibrou sobre meu travesseiro. Olhei o que era e de lá, um sorriso foi arrancado de meu rosto. Era o que eu queria. Sentir. Porém eu só queria saber do meu sentimento. Cheguei. Passei o inverno com muito calor no coração. Dormia com pensamento longe. Não tinha fome se estivesse longe. Percebia a cada conversa que seria um amor sincero.
Cada noite, uma surpresa. Parece que tudo era planejado para eu me surpreender. Eu sorria quase o tempo todo. Passei um inverno maravilhoso, cheio de atenção. Não prendi ninguém. Acho que o erro, a falha, foi de nós dois. Eu deixei a vida levar aquilo como se fosse profecia das estrelas. A cada olhar atento que recebia soltava um sorriso sincero. Comecei a perceber as cores a minha volta. Paisagem bonita e até uma construção um pouco mudado de ontem pra hoje.
Então eu simplesmente acordei de manhã como se passasse uma noite bem mais longa que realmente havia sido. Olhei pro lado e me senti viva. Fui a praia, tomei um banho de mar revigorante. O sol queimava minha pele branca até deixá-la vermelha. Sentei à beira do mar, bem (ou mal) acompanhada e acompanhei a brisa tocando nossos corpos bebendo nossa bebida favorita - cerveja. Passamos um dia simples, sem regalias ou dificuldades. Um dia leve, ao som de adjacente, assim como os anteriores haviam sido. Comemos uma pizza maravilhosa e pagamos uma gorjeta ao flanelinha que nos aguardava ansioso. Eu não estava maquiada nem perfumada, mas me sentia completa. Se sentir completo é aproveitar cada oportunidade que a vida lhe dá. Mas o ser humano tem um erro grave. Acreditar que o problema nunca está nas mãos dele, sempre no proximo. Estava na minha frente mas eu não agarrei para solucionar. Estava muito ocupada olhando pra paisagem ? Não percebia o quão era tola.
Sobre manchar as pessoas com palavras sujas e mentirosas todo mundo sabe falar. Todo mundo já foi alvo da mentira de alguém. Sobre decepção com pessoas que tem como combustível para seguir em frente seja o próprio ego, a maioria irá se lembrar de alguém. Mas a mancha na vida das pessoas não se tratam apenas de feridas amorosas. Se tratam de confiança na índole de outra pessoa. Isso é uma ferida ao coração e a auto confiança. É uma marca de desconfiança para o futuro. Mostra o quanto sofremos. Sofrimento passageiro este meu, que já foi superado com outros sofrimentos.
Marcou, assim como os demais marcaram. É como enterrar o seu cantor favorito e nunca mais tocar aqueles áudios tão frequentes. É desapegar do que se acostumou. É ser, sentir, humano. É voltar a sorrir e quebrar a cara com o mesmo problema denovo. O coração não aprende. O corpo reage com menos impulso mas ainda continua bobo. A mente ja está confusa mesmo, um turbilhão de informações pra conciliar com o que informação deseja. Desapegar, viver, ser, sentir.
Hoje, deitada na madrugada assistindo um programa de merda passando na TV aberta, dou algumas risadas enquanto lembro-me de situações da semana. É mesmo assim, aqueles diversos formatos de luas que iluminavam meu quarto todos os dias estavam voltando aparecer mais frequentemente que antes. Ou eu que não vira o tempo passar ?

Estamos sentindo enquanto os outros estão sentindo menos ou por outros.
Estamos rindo quando outros choram.
Temos o coração partido enquanto outro está cheio do que você mais queria.
Temos somente a informação de amor. Amor é o único sentimento que sinto hoje.

Me lembro rapidamente de papos bobos sobre meus livros favoritos. Da ficção que sonhava viver. Do amor que haveria a distribuir.
de certa forma, agradeço por ter mostrado que sou mera motal com os que não sabe identificar falsidade. Sou so um casco. Uma alma intensa, mais esperta, menos preocupada.

Continuarei a prestar atenção no que a vida me da.
Mas vou começar a sentir mais o que não é me falado e sim demonstrado.


Está enterrado, manchado, sem direito a rever o tamanho da cova.
de você levo o que aprendi com todas suas confusões na minha cabeça.

Obrigada


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