sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

Tudo muda... Virando adulta!

Boa noite!

Vim aqui escrever o que sinto, tirar do fundo do meu coração o que preciso desabafar, o que choro escondida na noite. Preciso expor, assim como contamos a um amigo nossas angustias e nossas dúvidas... Na verdade, é assim que considero a leitura, os livros... Amigos, amigos de todas as horas, prontos para vivenciar conosco tudo que nos bate a porta.

Hoje estou numa fase de transição. Tenho 17 anos e em poucos dias já não mais morarei com minha família, mas outras pessoas serão minha família. Vou entrar numa vida nova, cheia de obstáculos, passando dificuldades e até passando tristezas. Sinto que a minha infância acabou ao entrar no ensino médio. Tudo passou muito rápido, sem ao menos eu conseguir ver. Flashes, só consigo ver flashes.

Agora tudo vai mudar. As responsabilidades vão crescer e só vão se aflorar. Vou ficar mais longe de minha família e do meu amor, meu grande amor, aquele que me faz sentir bem quando está comigo mas uma angústia enorme quando está longe. Vou ter que ser adulta e não só na idade, vou ter que agir como adulta. Vou cozinhar, limpar a casa, trabalhar fora, me formar na faculdade, cuidar de mim... Arrumar tempo pra tudo, assim como dizem que o dia de uma mulher não tem apenas 24 horas....

Vou ver a vida como adulta, desejo antigo, desde a infância dos 5 anos, quando queremos ser adultas de qualquer jeito, colocamos aqueles sapatos de salto alto da mamãe e andamos pela casa se maquilando e se perfumando. Hoje, aqueles sapatos de salto me doem. Queria, ao menos por um dia, voltar aos meus 5 anos e voltar a ser inocente novamente, voltar a ver a vida divertida, alegre, onde todos são nossos amigos eternos e que nunca vamos ser abalados. Não que eu não goste dessa fase que estou passando, estou super animada e fazendo planos. Mas como a vida não são apenas flores, a preocupação vem junto, sobre seu rendimento, sua alimentação e seus gastos do dia-a-dia. Será que vai dar certo? Será que vou me adaptar a uma nova vida? São perguntas que passam pela minha cabeça de forma desorganizada, vai e vem em momentos de silêncio.

Talvez essa minha transição esteja se fazendo papel grandioso em minha vida, momento em que finalmente vou ter que me virar e sair debaixo da saia da minha mãe. Mas quão grande a importância desse evento? A importância é que a partir de agora sou dona do meu nariz e não sei se isso realmente é bom quanto os adolescentes pensam que são. Alguns dias para minha mudança e já vieram as preocupações... primeira compra do mês, primeira faxina... São sensações aguçantes, remexem a minha cabeça num êxtase de emoções sem explicação, nem tristeza, nem alegria, talvez seja ainda uma desconfiança. Desconfiança de adolescente que ainda pede a opinião da mamãe a que roupa usar.

Analisando minha vida atual e pensando em quantas pessoas podem estar em situações parecidas, percebo que a fase é inevitável. Um dia nos casamos né? Sair de casa de uma vez pode ser um tanto assustador para jovens como eu, mas com tantas orações feitas nos ultimos dias, penso que conseguirei levar.

Fico me perguntando como será daqui 4 anos, quando estiver me formando... Será que vou querer voltar a essa fase, a fase das decisões mais importantes da minha vida? Ou será que vou me ausentar de mim e descansar? Terei uma família? Meu grande amor vai me amar mesmo diante de tanto estresse vindo de uma vez? Será que pensarei em filhos? A minha única certeza é que ainda vou ter o desejo árduo e impossível de voltar aos meus 5 anos e sair de mim, ser imaginação, ser inspiração, certeza de que tudo vai ficar bem.

No último ano me senti como um vazio. Cercada de pessoas a todo minuto, mas com a sensação indelicada de que estou só e que minhas dúvidas são minhas e não precisam ser partilhadas. Aliás, a vida é minha e dela faço o que bem entender... Mas essa sensação de poucos amigos não é boa. Se sentir só, em meio a colegas legais mas que aquilo tudo é superficial. O outro também tem vida, e talvez um dia se sentiu como eu estou me sentindo.

Meus amigos da minha época dos 5 anos, 10, 14 anos já não são as mesmas pessoas. Uns decidiram ser normais, partilhar de uma vida comum, vivendo a um baixo salário e formando família até cedo demais e outros, decidiram o futuro de si como algo grandioso, algo que dará a melhor vida para os filhos... Uns decidiram aceitar as oportunidades da vida e crescer devagar, ter uma vida tranquila, digna, fruto do trabalho, viver de acordo com a força de vontade e com a benção de Deus. Vejo as mesmas pessoas que diziam ter sonhos super especiais entrando em declínio emocional e virando pessoas... pessoas conhecidas como "nada". Não estudam, não querem crescer e só pensam no bem do seu corpo, se sentem bem ao ter uma roupa de marca, mas é evidente que seu coração está em estrondoso choro, em tristeza com a vida que trouxe obstáculos que não foram bem ultrapassados. Vejo pessoas com sonhos, é lindo de se ver. Mas parecem crianças, desligadas da realidade, imaginando coisas a todo instante.

Ultimamente não sou nenhuma dessas pessoas. Eu sou aquela pessoa, aquele jovem-adulto que está decidindo sua vida, está com seus próximos anos nas mãos, decidindo se a facilidade se sobrepõe ao luxo de um nome ou se a força de vontade se rebaixa ao cansaço. O medo do novo, as vezes nos faz ser como formigas, que ao serem incomodadas pela terra mexida correm incansavelmente para colocar tudo no mesmo lugar, tudo "da forma que era antes", mas sem pensar que aquilo pode ser uma oportunidade de se mudar para um lugar mais escondido, onde a terra não incomoda tanto.

Estou com coragem, mas ao mesmo tempo com medo. É estranho definir isso assim, mas é do fundo do meu coração. Deus vai me ajudar a superar a imediata bomba que será essa mudança e sei que aos poucos vou fazer de minhas escolhas as melhores possíveis. Vou agarrar as oportunidades com a palma da mão e não só com as unhas. Vou olhar pro mar e ver a imensidão de tudo. Vou sentir a brisa me tocar e viver. Mas, viver de verdade, não como fiz nos últimos três anos de ensino médio. Vou viver mais intensamente, não quero perder um minuto do que um dia vou desejar voltar para vivenciar.

Vou atrás dos meus sonhos, certamente adulta, mas com um coração de criança escondido por detrás dessa face séria e muitas vezes cansada, vou sonhar ainda mais, amar intensamente e ser forte nessa nova fase de uma vida que se Deus quiser será longa.



Um comentário:

  1. Que lindo Gabi, você escreve bem e escreve todos os gêneros mesmo, você é 10!!!

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