Ao longo do dia vejo muitos momentos que precisam ser parados para que haja atenção.
Ouço crianças chorando, vejo pais nervosos, pessoas perdidas, pessoas com pressa, bebados esquecidos na calçada, jogados dormindo como se não houvesse mundo a se viver. Analisando alguns destes momentos com atenção, percebi que o homem é relativo a si mesmo. Vivemos num mundo excludente demais para ser generoso e mesmo nós, que nos julgamos tão boas pessoas passamos por um bêbado e não notamos que aquilo tudo gerou-se por uma tristeza profunda que é possível ver nos olhos de cada indivíduo.
Sabe quando vamos embora da escola, trabalho, academia, o que for, e andando pela rua de casa um ou mais cachorros abandonados nos seguem? Então, sentimos uma tremenda raiva dos animais (eu pelo menos me estresso bastante) mas não somos cientes de que aqueles animais estão comendo lixo e estão com frio... Seguem-nos porque tem esperança de um coração sensível o acolher. O problema é que cachorro não fala.
Passamos a maior parte do dia ouvindo relatos de problemas não é mesmo? Aposto que não sou a única que já se deparou com um problema bem maior que o seu e pensou: puxa, eu não sei resolver. Pois bem, não existe uma só pessoa com problemas grandes nesse mundo. Nosso egoísmo leva-nos a por nas costas dos outros o que é problema nosso e nem sequer pensamos que os outros tem sacos e sacos de problemas, esmagados em uma sociedade injusta, infiel, onde quem tem alguma coisa é superior e quem não tem é inferior.
Hoje vindo embora da escola com um amigo escutei-o dizendo que achava que só conhecia eu e ele que gostávamos de passar horas com o namorado/a.. Coisas simples da vida. Refleti. Vi que aquilo era verdade. Procurei refúgio nos meus pensamentos e nada encontrei. Procurei lembranças e agora que cheguei em casa vi muitas delas amontoados em uma parte de meu guarda-roupa, esperando para serem queimadas. Tive um ataque de choro ao ver algumas fotos de pessoas que eram tão especiais que passavam cerca 1/2 do dia comigo e que hoje já não reconheço como amigos/as de verdade e apenas conhecidos que mal se cumprimentam na rua...
Abri o facebook e me deparei com 458 pessoas online as 23:00. Penso que são 458 pessoas se comunicando entre si, contando as novidades ou paquerando. Pode ser. Deslizo o mouse e me descubro desolada quando vejo que a maioria são conhecidos que há muito não converso. Abro alguns perfis e olho fotos de pessoas que até o ano passado eram minhas confidentes...
Não as reconheço mais como antes. Antes via nelas e neles um amor de amigo que não vejo mais em olhos que se tornaram distantes. A mudança repentina que eu tive trouxe características novas para minha vida e um amadurecimento profundo sobre o agir das pessoas.
Olhando as fotos de umas meninas, concluí que o tempo gera mudanças na mente de um ser humano e nem sempre são as melhores. Nunca vi minhas amiguinhas de ensino fundamental usarem shorts tão curtos, irem a tantas festas, beberem tanto... Será que aquelas meninas que antes conversavam comigo sobre TV, filmes, livros e meninos vêem sentido para a vida irem em um monte de festas por aí, arreganhar as pernas escondido para o cara que achar atraente, viver numa mentira, uma farsa, achar que cada um é melhor que o outro?
Não vejo mais sentido em coisas tão inúteis como essas... A diferença entre meu ver e o ver de quem se sentir abalado com este texto é de que não estou criticando você sair, se divertir e ficar com o cara que quiser... Eu só vejo que isso deve haver cautela e que não são essas roupas de marca (a maioria uns dois anos atrás usavam calças sem marca e nem ligavam para isso) curtíssimas que vão te fazer mais mulher e mais humana.
Pense que toda vez que joga comida fora tem alguém em algum lugar morrendo de fome. Assim como valorizar a comida é importante, valorizar-se também é, e não é, definitivamente não é esquecendo e nem cumprimentando seus velhos amigos na rua é que vão te deixar com auge maior.
Tem gente por aí que mudou completamente. Arrumou novas companhias, novos gostos e nova vida. Há muitos anos não ando de patins como antigamente. Não vejo os mesmos filmes e não jogo os joguinhos bobos que jogávamos. Sinto-me também uma estranha quando me olho no espelho, vendo uma garota de 16 anos cansada de tanta falsidade, tanta miséria, tanta falta de compreensão e ética. Tenho 16 anos e apesar da pouca idade vejo gente pilantra e vejo gente sofrida passar por mim. Vejo antigos parceiros e parceiras que hoje são o oposto que o passado. Não melhoraram.
Fico triste em saber que daqui alguns anos uns terão morrido, outros jamais verei e outros terão bons ou ruins empregos. Fico triste em desigualdade, quando em nossa pré-adolescência, antes mesmo de entrar pro ensino médio que não foram poucas as vezes que discutíamos a respeito da casa que iria ser divida entre nós quando fossemos mais velhas.
Vejo fotos de pessoas que se odeiam o tempo todo no facebook ou instagram com a legenda: #linda #amiga #teamo ou meninos fortes postando fotos sem camisa e meninas idiotas curtindo. É gente demais postando e comentando ironia nas suas ou minhas postagens.
Eu quero é ser feliz pessoal, todavia, a minha felicidade pessoal é também a felicidade múltipla e enquanto eu ver tanto desprezo, tanta mudança ruim e tanta gente faltando de compaixão, viverei em um amargo fundo e nenhum açucar será capaz de adoçar a dor.
Eu estou cansada de amigas querendo meu namorado e inimigas" que o querem roubá-lo, mesmo que antes ele era um mero desconhecido entre elas. Eu quero paz, sussego, livros, filmes, algumas festinhas e principalmente amor. O amor é a base de tudo, e assim como todos, eu também tive mudanças e uma de minhas maiores foi o amadurecimento precoce e o amor que chegou em minha vida para me dar suporte a aguentar todas as coisas e pessoas ruins que a vida nos reserva a fim de testar-nos para o árduo compasso da vida, que passa devagar e rápido ao mesmo tempo, as vezes nem dando tempo para uma despedida ou para que uma vida seja boa o bastante a ser lembrada.
Termino este texto, citando uma frase que gosto muito: "Por que é que a gente é desse jeito, criando conceito para tudo que restou?". Quero conhecer-me e conhecer-te novamente ou primeiramente. Eu quero viver. Eu quero que as pessoas abram os olhos e vivam também. Abram os olhos para ver os outros em situações deploráveis e permitam-se orar uma vez ao dia ou apenas refletir sobre tudo o que lhe aconteceu hoje. Sinta a vida, sinta o verde, beba água, olhe-se no espelho e conheça-te de verdade. Não permita-se viver sem um propósito.
28/03/13

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